O Secovi-SP promoveu, na quarta-feira (21/10), em São José do Rio Preto, mais uma edição regional do Condo Meeting, com foco em governança colaborativa e longevidade nos condomínios. O encontro reuniu especialistas para discutir como o planejamento urbano e a gestão dos empreendimentos residenciais podem responder às transformações demográficas e às novas demandas de moradia.
A programação abordou dois desafios complementares: planejar o desenvolvimento da cidade no longo prazo e preparar os condomínios para oferecer condições de segurança, acessibilidade, autonomia e convivência aos moradores em diferentes fases da vida.
Para Germano Hernandes Filho, presidente da Governança Colaborativa de São José do Rio Preto, pensar a cidade para 2050 exige antecipar mudanças e integrar diferentes setores da sociedade na construção de soluções duradouras.
“Quando pensamos em Rio Preto para os próximos 25 anos, precisamos perguntar que cidade queremos construir e se estamos preparados para as mudanças que já estão acontecendo. A população está envelhecendo, e isso precisa estar presente nas decisões sobre mobilidade, moradia, serviços e espaços públicos. Planejar o futuro exige integrar poder público, iniciativa privada, universidades e sociedade civil em torno de objetivos comuns”, afirma Germano.
O envelhecimento populacional também traz desafios para o planejamento dos condomínios, que precisam acompanhar as necessidades dos moradores ao longo da vida. A apresentação de Maria Cândida Pereira Azem, presidente e cofundadora da Associação Geronto-Geriátrica de Rio Preto (AGERIP), destacou a importância de pensar a moradia como parte das estratégias de promoção da saúde, da autonomia e da qualidade de vida.
“Além da acessibilidade e da segurança, preparar os condomínios para a longevidade significa valorizar a autonomia e a participação dos moradores idosos. Isso envolve criar oportunidades para que contribuam nas decisões, participem das atividades e compartilhem suas experiências, respeitando suas escolhas e fortalecendo seu papel ativo na comunidade condominial. Da mesma forma, acessibilidade, segurança e acolhimento são fundamentais para que os espaços de moradia acompanhem as necessidades das pessoas em todas as fases da vida”, destaca Maria Cândida.
Os dados apresentados pela AGERIP, com base no Censo Demográfico do IBGE, mostram que São José do Rio Preto tinha 89.391 moradores com 60 anos ou mais em 2025, o equivalente a 18,6% da população. Em 2010, eram 56.337 pessoas nessa faixa etária, um crescimento de aproximadamente 59%.
A tendência deve se intensificar nas próximas décadas. Segundo projeções da Fundação Seade apresentadas durante o encontro, a população com 60 anos ou mais deverá representar 23,4% dos habitantes da região administrativa de Rio Preto em 2030 e 34,6% em 2050. O cenário reforça a necessidade de incorporar o envelhecimento às políticas urbanas e às decisões do setor imobiliário.
Nesse contexto, a gestão condominial tem papel importante na adaptação dos espaços às necessidades dos moradores. Entre as medidas discutidas estão melhorias de acessibilidade nas áreas comuns, criação de ambientes para atividades físicas e sociais, oferta de serviços de apoio e iniciativas que estimulem a participação e a convivência entre os residentes.
A governança colaborativa foi outro eixo do encontro. O conceito propõe a articulação entre poder público, universidades, setor produtivo e sociedade civil para estabelecer objetivos comuns e desenvolver ações de longo prazo. Em São José do Rio Preto, essa perspectiva está associada ao planejamento estratégico da cidade para 2050, que busca integrar desenvolvimento urbano, mobilidade, sustentabilidade, inovação e qualidade de vida.
“O setor imobiliário precisa acompanhar as transformações da sociedade e participar ativamente do planejamento das cidades. A longevidade é uma dessas mudanças que exigem atenção: precisamos pensar em empreendimentos que ofereçam acessibilidade, segurança e espaços de convivência, permitindo que as pessoas mantenham sua autonomia e qualidade de vida ao longo dos anos. Esse planejamento beneficia os moradores idosos, suas famílias e toda a comunidade, e precisa começar desde a concepção dos projetos e continuar na gestão dos condomínios”, afirma Francisco Rosales Espinosa, diretor de Administração Imobiliária e Condomínios na Regional Secovi-SP em São José do Rio Preto.
Fonte: Assessoria de Imprensa