O tênis brasileiro vive um momento de celebração e resgate de sua melhor tradição nas duplas. Os gaúchos Orlando Luz e Rafael Matos garantiram vaga no prestigiado ATP Finals, que reúne as oito melhores parcerias da temporada mundial. O feito encerra um longo jejum de 43 anos sem uma dupla 100% brasileira na competição de elite, marcando um capítulo memorável para a modalidade no país.
A classificação veio nesta quarta-feira (4) com uma vitória convincente na estreia do Masters 1000 de Paris, na França. Diante do argentino Mariano Navone e do chileno Alejandro Tabilo, a parceria nacional impôs seu ritmo e venceu por 2 sets a 0, com parciais de 6/4 e 6/3. Com o resultado, eles avançaram às oitavas de final e somaram os pontos necessários para consolidar a presença no torneio que acontecerá em Turim, na Itália, a partir de 15 de novembro.
Campanha consistente e quebra de jejum histórico
Para alcançar a marca de 3.997 pontos no ranking da temporada, Luz e Matos precisaram superar concorrentes diretos que foram eliminados precocemente na capital francesa, como a parceria formada pelo argentino Guido Andreozzi e pelo francês Manuel Guinard, além dos britânicos Julian Cash e Lloyd Glasspool. A consistência ao longo do ano foi o grande diferencial para a dupla brasileira.
A última vez que o Brasil teve uma formação exclusivamente nacional no ATP Finals havia sido em 1983, quando Cássio Motta e Carlos Alberto Kirmayr disputaram o torneio, que na época adotava formato eliminatório. Desde então, embora o país tenha tido representantes de destaque atuando com parceiros estrangeiros, uma dupla inteiramente verde-amarela não conseguia retornar ao seleto grupo dos melhores do planeta.
Consolidação no circuito mundial
O sucesso em 2026 não é obra do acaso. Os tenistas gaúchos construíram uma trajetória sólida, faturando títulos importantes como os ATP 250 de Buenos Aires e Santiago, os cobiçados Masters 1000 de Montreal e Cincinnati, além do Challenger de Braunschweig. A sintonia em quadra e a capacidade de decidir em momentos de alta pressão colocaram a dupla em um patamar de destaque internacional.
A maratona, no entanto, continua. Luz e Matos voltam à quadra em Paris nesta quinta-feira (5), a partir das 7h (horário de Brasília), para enfrentar os austríacos Lucas Miedler e Neil Oberleitner pelas oitavas de final, buscando ganhar ainda mais ritmo competitivo antes de embarcar para a Itália.
Fôlego também no circuito feminino com Luisa Stefani
O momento iluminado do Brasil nas duplas se estende ao circuito feminino. A partir de domingo (8), a paulista Luisa Stefani estreia no WFTA Finals ao lado da canadense Gabriela Dabrowski. A parceria chega ao torneio ostentando o posto de líder da temporada, fruto de uma campanha que inclui a conquista do WTA 1000 de Pequim, o quinto título do ano para a brasileira.
No Grupo 1 da primeira fase, Stefani e Dabrowski terão desafios logo de cara, reencontrando a chinesa Guo Hanyu e a francesa Kristina Mladenovic — responsáveis por eliminá-las na final de Wimbledon. Na sequência, a dupla enfrentará a letã Jelena Ostapenko e a taiwanesa Hsieh Su-wei, além da belga Elise Mertens com a chinesa Zhang Shuai. As duas melhores equipes do grupo avançam às semifinais, mantendo viva a expectativa de um título inédito para o tênis feminino nacional.
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