A população da região oeste de Santa Catarina precisa se preparar para enfrentar mais uma madrugada e manhã de instabilidade severa neste sábado (7). Um novo alerta emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta a chegada de vendavais, chuvas intensas e possível queda de granizo para 111 municípios catarinenses, acendendo o sinal vermelho entre autoridades e moradores que ainda contabilizam os prejuízos deixados por tempestades recentes.
O cenário de alerta não se restringe apenas ao território catarinense. De acordo com o aviso meteorológico, a mesma linha de instabilidade também afeta o noroeste do Rio Grande do Sul e quatro mesorregiões do Paraná, evidenciando a abrangência continental do sistema climático que atinge o Sul do país. As previsões indicam volumes expressivos de precipitação, podendo alcançar a marca de 100 milímetros por dia, acompanhados de rajadas de vento que podem atingir a velocidade de 100 km/h.
Rastro de destruição e solo encharcado aumentam riscos
A nova ameaça climática chega em um momento de extrema vulnerabilidade para o Estado. Nos últimos dias, o oeste catarinense foi severamente castigado por temporais atípicos. Na quarta-feira (4), a passagem de uma linha de instabilidade provocou a formação de dois tornados nas cidades de Chapecó e Xanxerê, enquanto um terceiro fenômeno do tipo atingiu o município de Rio Negrinho, localizado no Planalto Norte.
De acordo com o balanço mais recente divulgado pela Defesa Civil de Santa Catarina, as intempéries já afetaram 126 municípios desde o último domingo (1º). O saldo é trágico e inclui duas mortes confirmadas: uma mulher foi vítima de choque elétrico em Xanxerê após o rompimento de um cabo de alta tensão, e outra pessoa morreu em decorrência da queda da estrutura de um posto de combustíveis em Rio Negrinho.
Além das perdas humanas, a situação social e estrutural é delicada. O Estado contabiliza 62 cidades em situação de emergência, com 6.423 moradias danificadas. Atualmente, 557 pessoas permanecem desalojadas e outras 100 estão desabrigadas. Com o solo completamente encharcado devido aos volumes acumulados ao longo da semana, a Defesa Civil reforça o alerta para o risco de deslizamentos de terra no extremo oeste, oeste, meio-oeste e no Vale do Itajaí, além de enxurradas e transbordamentos em áreas próximas a rios.
Entenda a dinâmica dos temporais e a reviravolta no tempo
Fenômenos como os tornados registrados durante a semana costumam se formar a partir de linhas de instabilidade alimentadas pelo forte calor e pela umidade transportada da região amazônica. Conforme explica o meteorologista da Defesa Civil Caio Guerra, essas tempestades severas se organizam de maneira linear, cobrindo centenas de quilômetros e deslocando-se rapidamente, o que resulta em rajadas de vento extremamente destrutivas.
Para este sábado, a instabilidade é impulsionada pela chegada de uma frente fria. O encontro entre a massa de ar frio, que é mais densa, e o ar quente e úmido pré-existente cria o cenário ideal para a formação de novos temporais generalizados. Contudo, a dinâmica atmosférica trará uma mudança drástica logo na sequência.
A previsão aponta que a frente fria deve se afastar já no período da tarde de sábado, abrindo espaço para a entrada de uma massa de ar seco e frio de origem polar. A mudança repentina no tempo derrubará as temperaturas de forma acentuada. Na próxima segunda-feira (9), os termômetros podem registrar marcas abaixo de 4°C nas regiões dos Planaltos e no meio-oeste, acompanhadas pelo risco de formação de geada, exigindo atenção redobrada da população com a saúde e a agricultura local.
Continue acompanhando o RP News para se manter informado sobre as condições meteorológicas em tempo real e os desdobramentos da assistência às regiões atingidas. Nosso compromisso é entregar jornalismo sério, contextualizado e de relevância para o seu dia a dia.
Fonte: https://jovempan.com.br







