O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 80 denúncias de assédio eleitoral no interior de São Paulo em um intervalo de poucos dias após o encerramento do segundo turno das eleições. Os dados, consolidados pelo MPT da 15ª Região, evidenciam a persistência de práticas de coação no ambiente corporativo mesmo com o fim da disputa nas urnas, revelando um cenário de tensão nas relações de trabalho em várias regiões paulistas.
As notificações recebidas pelo órgão entre o domingo e a manhã da quarta-feira seguinte concentram-se em polos importantes do interior, como as regiões de Bauru, São José do Rio Preto, Sorocaba, Presidente Prudente e Araçatuba, que juntas somaram 45 queixas no período pós-eleitoral. O volume expressivo em tão pouco tempo acendeu o alerta das autoridades trabalhistas para a tentativa de controle do voto e retaliação de trabalhadores.
Concentração de casos e o impacto no acumulado do ano
Para se ter a dimensão do problema, as 80 denúncias recentes representam cerca de 37% de todas as 216 notificações de assédio eleitoral contabilizadas ao longo de todo o ano de 2026 no interior paulista. Até o encerramento do primeiro turno, o órgão havia catalogado 136 ocorrências, o que demonstra uma aceleração nos registros justamente nos momentos de maior polarização política e após a definição dos pleitos.
No recorte regional específico após o segundo turno, São José do Rio Preto liderou com 20 registros, seguida por Sorocaba (8), Bauru (7), Presidente Prudente (7) e Araçatuba (3). Os números refletem como o clima de disputa ultrapassou os limites do debate público e encontrou eco em práticas abusivas dentro de empresas e estabelecimentos comerciais.
Práticas abusivas e a resposta das autoridades
Entre os relatos que chegam aos canais oficiais do MPT estão situações graves, como a circulação de publicações em redes sociais que incentivam empresários a promover demissões em massa com base na escolha partidária dos empregados. A legislação brasileira é clara ao estabelecer que ameaças de demissão, dispensas efetivadas, recusa de novas contratações e qualquer forma de constrangimento motivadas por posicionamento político configuram crime e grave violação dos direitos trabalhistas.
Diante desse cenário, o MPT reforça a importância da coleta de provas materiais para dar sustentação às investigações e garantir a punição dos responsáveis. Vítimas e testemunhas são orientadas a preservar capturas de tela de conversas em aplicativos de mensagens, postagens públicas, áudios, gravações e a indicar contatos que possam corroborar os relatos perante os procuradores.
A atuação firme dos órgãos de controle busca não apenas reparar eventuais danos individuais aos trabalhadores afetados, mas também estabelecer um precedente rigoroso contra a tentativa de cerceamento da liberdade de voto, um dos pilares fundamentais do Estado democrático de direito.
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Fonte: https://g1.globo.com







