A defesa do empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, decidiu levar o caso à esfera internacional e acionou formalmente a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão vinculado à Organização dos Estados Americanos (OEA). Protocolada no final de março, a petição busca uma intervenção externa para reverter a prisão preventiva do banqueiro, detido desde o início de março, em um desdobramento que amplia a repercussão jurídica e institucional do processo.
No documento enviado ao organismo internacional, os advogados sustentam que a manutenção da custódia cautelar fere garantias fundamentais. Entre os principais pontos levantados pela defesa está a alegação de que Vorcaro permanece preso sem que tenha ocorrido o oferecimento de uma denúncia formal por parte do Ministério Público, além de apontarem o que classificam como morosidade do Supremo Tribunal Federal (STF) na análise de pedidos de liberdade protocolados meses antes.
Argumentos da defesa e contestações sobre o processo
De acordo com os representantes legais do banqueiro, a situação processual atual carece de formalização acusatória definitiva. A petição encaminhada à CIDH enfatiza que o indiciamento apontado em relatórios policiais não substitui a acusação formal, que compete exclusivamente ao Ministério Público. Além disso, a defesa critica a ausência de revisões periódicas obrigatórias da prisão preventiva e aponta supostas irregularidades no manuseio de provas digitais.
Outro flanco abordado no documento diz respeito ao vazamento de conversas privadas extraídas de aparelhos celulares apreendidos. Os advogados argumentam que houve violação de comunicações protegidas pelo sigilo profissional entre advogado e cliente, além de criticarem a suposta dificuldade de acesso integral aos dados brutos das perícias realizadas pelas autoridades policiais, elementos que estariam comprometendo a ampla defesa no âmbito interno.
O indiciamento da Polícia Federal e o contexto do Banco Master
A movimentação internacional ocorre paralelamente ao avanço das investigações no Brasil. Recentemente, a Polícia Federal concluiu uma fase importante de apuração sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), transação que ocorreu entre os anos de 2024 e 2025 e acabou sendo interrompida após veto formal do Banco Central, que identificou inconsistências regulatórias e financeiras.
Como resultado dessa etapa investigativa, a PF enviou à Procuradoria-Geral da República um relatório indiciando 15 pessoas, incluindo executivos, ex-dirigentes da instituição financeira pública do Distrito Federal e associados de Vorcaro. Entre os nomes apontados no documento estão Augusto Lima, sócio no Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, além de diversos diretores e assessores ligados a ambas as instituições.
Próximos passos na Justiça brasileira
Apesar do envio do relatório parcial, o inquérito ainda não foi encerrado por completo. A corporação policial solicitou ao STF a prorrogação do prazo investigativo por mais 60 dias, justificando a necessidade de concluir perícias técnicas pendentes e elaborar um documento complementar. O pedido aguarda agora a deliberação do ministro André Mendonça, relator do caso na Suprema Corte, enquanto a defesa busca respaldos externos para tentar alterar o rumo da prisão preventiva.
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Fonte: https://jovempan.com.br







